domingo, 29 de julho de 2012

Terras do nosso Algarve - Budens

Budens é essencialmente um Algarve que aqui já é diferente. Sente-se a aproximação do promontório da costa, testemunha da energia do vento, o mar reflecte já o azul profundo da costa atlântica, a oeste.


Localização

Situa-se à beira da EN 125, ao Km 20 de Lagos e a 7 Km de Vila do Bispo do concelho.

População

Com base nos Censos de 2001 verifica-se que a população de Budens tem cerca de 1800 pessoas, número que muito aumenta com os visitantes em viagem turística. Cada vez mais, esses turistas visitam a aldeia e nela permanecem para além da época alta, ciosos do sossego que aí usufruem.

Actividades Principais

A Pesca é desde tempos imemoriais a principal actividade, com os carapaus a serem capturados com rede de cerco, o polvo por meio de alcatruzes, assim como a lula e o choco. Diversos mariscos como o berbigão, o lingueirão, o burgau e o perceve, também são capturados. A agricultura é de subsistência, com algumas figueiras e de alguma pastorícia. O turismo da Natureza, e o golfe são agora a principal fonte de rendimento dos habitantes. As casas recons-truídas ou restauradas mantêm no essencial o seu estilo primitivo.

História

São significativos os vestígios da presença do homem desde épocas recuadas. Na charneca junto à Lagoa de Budens foram feitos diversos achados arqueológicos.
Na Boca do Rio, onde existiu um importante povoado dedicado à pesca e salga do pescado foram encontradas ruínas de fornos romanos para fabrico de ânforas e vários vestígios do período romano-lusitano.
Na freguesia estão referenciados 18 menires e no Sítio do Martinhal, escavações recentes revelaram fornos utilizados para produzir as ânforas nas quais o peixe salgado era transportado. Moedas aqui encontradas datam o local entre os séculos II e V. Existem ainda muitos poços e sistemas de rega de origem muçulmana.
Ao largo da Praia da Boca do Rio encontra-se afundado o navio L’ Ocean, que constitui um interessante vestígio da arqueologia sub-aquática.

Moínho de Budens

Património Cultural

A Igreja Matriz de Budens é um Templo rural do séc. XVIII, com altares de talha dourada, onde se encontra uma imagem de Nossa Sr.ª do Rosário e alfaias religiosas dos sécs. XVI a XVIII.

A Ermida de Sto. António na estrada para a Raposeira, é de Estilo Árabe. A sua construção data do século XVI ou XVII, com frontal do altar e azulejos do séc. XVIII. O altar desta ermida é em talha dourada e tem uma imagem de Santo António em madeira.

A Ermida de S. Lourenço, em Vale de Boi, é de uma só nave e possui belos azulejos.

O Forte de S. Luís ou de Almádena data de 1632, quando foi mandado construir a custas próprias, por Luís de Sousa, Conde do Prado, Capitão General do Algarve e Governador do Reino do Algarve durante o reinado de Filipe III. No terramoto de 1755, sofreu alguns estragos e ficou abandonado desde 1849.
Situa-se numa alta falésia rochosa, a nascente da foz da ribeira de Budens, local conhecido por Boca do Rio.
Este forte foi construído para proteger a almadrava, armação para a pesca de atum, situada a poente da Boca do Rio, que esteve em actividade desde o tempo dos Romanos. As almadravas, da costa algarvia, tornaram-se, a partir do séc. XVI, um alvo apetecido de corsários e piratas, pelo que se construíram alguns fortes para as proteger, como este.

Villa Romana da Boca do Rio, vestígios arqueológicos de uma villa e exploração agrícola e marítima, com tanques de salga para a industria do “garum” conserva de peixe e mariscos enviada depois para Roma em ânforas.

Os restos dos armazéns da Antiga Companhia de Pescas do Algarve assentam sobre o balneário romano.

O Forte do Burgau construído no séc. XVII, no reinado de D. João IV, das suas ruínas observa--se uma panorâmica deslumbrante.

O Forte da Figueira ou de Santa Cruz edificado no séc. XVI, só se conhecem as paredes. Situa--se em local de difícil acesso sobre a Praia da Figueira.

Património Natural

O Paul de Budens tem 134 ha, e é uma zona húmida costeira alimentada principalmente pela ribeira de Vale Barão, entre outras.
Antigamente era explorada como arrozal, e actualmente alberga cágados, gaivinas pretas e marrecos. É ponto de passagem de milhares de aves migratórias para sul.
Ginetas e texugos, bem como lontras e saca-rabos juntam-se às muitas aves.

Tradições

O Rancho Folclórico de Budens tem no seu repertório músicas de inspiração local e outras adaptadas do folclore algarvio como o “corridinho marafado”, a “Amendoeira” e a “Matilde Sacode a Saia”.

Bodião, o Mouro - Segundo a Crónica do ano 1600 da História do Reino do Algarve, existia “um castelo derrubado em que viva um cavaleiro mouro”, que se revoltou contra o Rei de Silves. Fazia sortidas e assaltos até aos arredores de Lagos e regressava ao seu refúgio que era muito forte, como se via “nos pedaços de parede que ainda estão de pé”. Sem porta, o castelo estava entulhado “até ao primeiro sobrado” e nele se entrava por uma escada de corda lançada da janela e logo recolhida.
Este mouro chamava-se Bodião e o lugar (Budens) tomou o seu nome.


Gastronomia

Do mar vêm as caldeiradas de peixe, o sargo grelhado da terra vem carne de porco estufado. Misturando os dois sabores, as lulas recheadas, são uma delícia.

Sem comentários:

Enviar um comentário